A crítica negativa do Estado elaborada pelos anarquistas com linguagem geográfica e geógrafos com linguagem dos anarquismos: uma contribuição à apreensão do etnoestado

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2026

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Introdução: A emergência contemporânea do etnoestado, longe de constituir uma anomalia histórica, deve ser compreendido como uma reconfiguração reacionária do próprio Estado, mobilizada em resposta às transformações estruturais do capitalismo e à erosão dos consensos liberais. Nesse contexto, sua análise exige uma articulação com o pensamento dos libertários de inclinação geográfica e geógrafos de matriz anarquista, que formularam a crítica negativa do Estado em sua gênese, função e implicações socioespaciais. Ademais, essa crítica é indissociável ao solo da modernidade, a qual propiciou igualmente a gestação da Geografia como disciplina acadêmica. Problema: em que medida a crítica negativa do Estado, elaborada por anarquistas que operam com categorias da Geografia e de geógrafos que mobilizam referenciais dos anarquismos, oferece instrumentos categoriais para a apreensão do etnoestado enquanto forma social historicamente determinada? Objetivo: Analisar as contribuições da crítica negativa do Estado elaborada por anarquistas que operam com categorias da Geografia e por geógrafos que mobilizam referenciais dos anarquismos, examinando em que medida tais elaborações oferecem instrumentos categoriais para a apreensão do etnoestado. Material e Métodos: No plano epistemológico, a presente investigação insere-se no campo das abordagens qualitativas; no plano metodológico, caracteriza-se como pesquisa bibliográfica. O método empregado é o da análise imanente, voltado à apreensão conceitual e categorial das obras selecionadas. No procedimento técnico, procedeu-se à seleção de textos de Pierre-Joseph Proudhon, Mikhail Bakunin, Élisée Reclus e Piotr Kropotkin, a fim de extrair a fundamentação da crítica negativa do Estado. Para a análise do etnoestado, partiu-se das contribuições de Peter Gelderloos e, subsequentemente, recorreu-se às bases de dados do Portal de Periódicos da CAPES, SciELO Brasil, Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações e Google Scholar. Resultados e Discussão: A investigação demonstra que, em Proudhon, o Estado figura como apropriação artificial da força coletiva e negação da federação; em Bakunin, como organização coercitiva da força e negação da humanidade; em Reclus, como produto histórico da dominação territorial e da naturalização das fronteiras; e, em Kropotkin, como destruição das autonomias comunais e da cooperação social. Tais convergências permitem compreender a forma institucional da centralização e da gestão territorial das populações. O etnoestado radicaliza essas determinações ao transformar o território em “pátria étnica”, convertendo a cidadania em pertencimento étnico-racial e produzindo uma territorialização restritiva. Trata-se, portanto, de uma hipertrofia seletiva da forma estatal, fundada na essencialização identitária e na hierarquização excludente do espaço. Em contraposição, as práticas espaciais insurgentes – como comunas autônomas, federalismo de base e redes horizontais – constituem formas concretas de enfrentamento à lógica do etnoestado, configurando-se não como uma nova instituição estatal, mas como a negação da própria estrutura heterônoma de poder. À Guisa de Conclusão: O conflito entre o etnoestado e as práticas libertárias é, fundamentalmente, de natureza socioespacial: enquanto o primeiro produz um espaço de segregação étnico-racial, as segundas engendram territorialidades plurais orientadas pela autonomia e pela coexistência. As categorias da crítica negativa do Estado revelam-se, assim, um possível instrumento analítico para apreender o etnoestado, apontando a transformação socioespacial como condição para a superação da dominação estatal.

Descrição

Áreas do conhecimento (CNPq)

CIENCIAS HUMANAS::GEOGRAFIA::GEOGRAFIA HUMANA

Referência

CAMPANI, Alex Rosa. A crítica negativa do Estado elaborada pelos anarquistas com linguagem geográfica e geógrafos com linguagem dos anarquismos: uma contribuição à apreensão do etnoestado. 2026. Trabalho de Conclusão de Curso (Licenciatura em Geografia) - Campus Riacho Fundo, Instituto Federal de Brasília, Brasília, 2026.

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