A crítica negativa do Estado elaborada pelos anarquistas com linguagem geográfica e geógrafos com linguagem dos anarquismos: uma contribuição à apreensão do etnoestado

dc.contributor.advisorPinto, José Vandério Cirqueira
dc.contributor.authorCampani, Alex Rosa
dc.date.accessioned2026-06-03T17:38:21Z
dc.date.available2026-06-03T17:38:21Z
dc.date.defense2026
dc.description.abstractIntrodução: A emergência contemporânea do etnoestado, longe de constituir uma anomalia histórica, deve ser compreendido como uma reconfiguração reacionária do próprio Estado, mobilizada em resposta às transformações estruturais do capitalismo e à erosão dos consensos liberais. Nesse contexto, sua análise exige uma articulação com o pensamento dos libertários de inclinação geográfica e geógrafos de matriz anarquista, que formularam a crítica negativa do Estado em sua gênese, função e implicações socioespaciais. Ademais, essa crítica é indissociável ao solo da modernidade, a qual propiciou igualmente a gestação da Geografia como disciplina acadêmica. Problema: em que medida a crítica negativa do Estado, elaborada por anarquistas que operam com categorias da Geografia e de geógrafos que mobilizam referenciais dos anarquismos, oferece instrumentos categoriais para a apreensão do etnoestado enquanto forma social historicamente determinada? Objetivo: Analisar as contribuições da crítica negativa do Estado elaborada por anarquistas que operam com categorias da Geografia e por geógrafos que mobilizam referenciais dos anarquismos, examinando em que medida tais elaborações oferecem instrumentos categoriais para a apreensão do etnoestado. Material e Métodos: No plano epistemológico, a presente investigação insere-se no campo das abordagens qualitativas; no plano metodológico, caracteriza-se como pesquisa bibliográfica. O método empregado é o da análise imanente, voltado à apreensão conceitual e categorial das obras selecionadas. No procedimento técnico, procedeu-se à seleção de textos de Pierre-Joseph Proudhon, Mikhail Bakunin, Élisée Reclus e Piotr Kropotkin, a fim de extrair a fundamentação da crítica negativa do Estado. Para a análise do etnoestado, partiu-se das contribuições de Peter Gelderloos e, subsequentemente, recorreu-se às bases de dados do Portal de Periódicos da CAPES, SciELO Brasil, Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações e Google Scholar. Resultados e Discussão: A investigação demonstra que, em Proudhon, o Estado figura como apropriação artificial da força coletiva e negação da federação; em Bakunin, como organização coercitiva da força e negação da humanidade; em Reclus, como produto histórico da dominação territorial e da naturalização das fronteiras; e, em Kropotkin, como destruição das autonomias comunais e da cooperação social. Tais convergências permitem compreender a forma institucional da centralização e da gestão territorial das populações. O etnoestado radicaliza essas determinações ao transformar o território em “pátria étnica”, convertendo a cidadania em pertencimento étnico-racial e produzindo uma territorialização restritiva. Trata-se, portanto, de uma hipertrofia seletiva da forma estatal, fundada na essencialização identitária e na hierarquização excludente do espaço. Em contraposição, as práticas espaciais insurgentes – como comunas autônomas, federalismo de base e redes horizontais – constituem formas concretas de enfrentamento à lógica do etnoestado, configurando-se não como uma nova instituição estatal, mas como a negação da própria estrutura heterônoma de poder. À Guisa de Conclusão: O conflito entre o etnoestado e as práticas libertárias é, fundamentalmente, de natureza socioespacial: enquanto o primeiro produz um espaço de segregação étnico-racial, as segundas engendram territorialidades plurais orientadas pela autonomia e pela coexistência. As categorias da crítica negativa do Estado revelam-se, assim, um possível instrumento analítico para apreender o etnoestado, apontando a transformação socioespacial como condição para a superação da dominação estatal.
dc.description.abstractenIntroduction: The contemporary emergence of the ethnostate, far from constituting a historical anomaly, must be understood as a reactionary reconfiguration of the State itself, mobilized in response to the structural transformations of capitalism and the erosion of liberal consensos. In this context, its analysis requires an articulation with the thought of geographically inclined libertarians and anarchist-oriented geographers, who formulated a negative critique of the State regarding its genesis, function, and socio-spatial implications. Furthermore, this critique is inseparable from the soil of modernity, which likewise fostered the birth of Geography as an academic discipline. Research Problem: To what extent does the negative critique of the State – developed by anarchists operating with geographical categories and geographers mobilizing anarchist frameworks – offer categorical instruments for apprehending the ethnostate as a historically determined social form? Objective: To analyze the contributions of the negative critique of the State formulated by anarchists operating with geographical categories and geographers mobilizing anarchist frameworks, examining to what extent such propositions offer categorical instruments for apprehending the ethnostate. Material and Methods: On an epistemological level, the present investigation falls within the field of qualitative approaches; on a methodological level, it is characterized as bibliographic research. The method employed is immanent analysis, aimed at the conceptual and categorical apprehension of selected works. Regarding technical procedures, a selection of texts by Pierre-Joseph Proudhon, Mikhail Bakunin, Élisée Reclus, and Peter Kropotkin was conducted to extract the foundation of the state negative critique. For the analysis of the ethnostate, the study began with the contributions of Peter Gelderloos and subsequently drew upon the digital databases of the CAPES Journal Portal, SciELO Brazil, the Brazilian Digital Library of Theses and Dissertations (BDTD), and Google Scholar. Results and Discussion: The investigation demonstrates that, in Proudhon, the State appears as an artificial appropriation of collective force and a negation of the federation; in Bakunin, as a coercive organization of force and a negation of humanity; in Reclus, as a historical product of territorial domination and the naturalization of borders; and, in Kropotkin, as the destruction of communal autonomies and social cooperation. Such convergences allow for an understanding of the institutional form of centralization and the territorial management of populations. The ethnostate radicalizes these determinations by transforming territory into an “ethnic homeland”, transmuting citizenship into ethno- racial belonging and producing a restrictive territorialization. It is, therefore, a selective hypertrophy of the state form, founded on identity essentialization and the exclusionary hierarchization of space. In contrast, insurgent spatial practices – such as autonomous communes, grassroots federalism, and horizontal networks – constitute concrete forms of confrontation against the ethnostate logic, configuring themselves not as a new state institution, but as a negation of the heteronomous structure of power itself. By Way of Conclusion: The conflict between the ethnostate and libertarian practices is fundamentally socio-spatial in nature: while the former produces a space of ethno- racial segregation, the latter engender plural territorialities oriented toward autonomy and coexistence. The categories of the negative critique of the State thus reveal themselves to be a possible analytical instrument for apprehending the ethnostate, pointing toward socio-spatial transformation as a condition for overcoming state domination.
dc.identifier.citationCAMPANI, Alex Rosa. A crítica negativa do Estado elaborada pelos anarquistas com linguagem geográfica e geógrafos com linguagem dos anarquismos: uma contribuição à apreensão do etnoestado. 2026. Trabalho de Conclusão de Curso (Licenciatura em Geografia) - Campus Riacho Fundo, Instituto Federal de Brasília, Brasília, 2026.
dc.identifier.urihttps://repositorio.ifb.edu.br/handle/1/2512
dc.language.isoPortuguês (Brasil)
dc.publisherInstituto Federal de Brasília
dc.publisher.campusCampus Riacho Fundo
dc.publisher.countryBrasil
dc.publisher.initialsIFB
dc.publisher.programLicenciatura em Geografia
dc.rightsAttribution-NonCommercial-NoDerivs 3.0 Brazilen
dc.rights.urihttp://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/3.0/br/
dc.subjectAnarquismo
dc.subjectEstado
dc.subjectGeografia política
dc.subject.cnpqCIENCIAS HUMANAS::GEOGRAFIA::GEOGRAFIA HUMANA
dc.titleA crítica negativa do Estado elaborada pelos anarquistas com linguagem geográfica e geógrafos com linguagem dos anarquismos: uma contribuição à apreensão do etnoestado
dc.typebachelor thesis
dc.type.brTrabalho de Conclusão de Curso

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