Brasília (1956 - 1960): sequências didáticas sobre a construção da capital federal
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Resumo
O presente trabalho nasce de uma inquietação sobre a persistente lacuna de materiais didáticos que, no ensino de Geografia, sobretudo nos anos iniciais do Ensino Fundamental, abordem a construção de Brasília (1956-1960) e seus desdobramentos geográficos. O trabalho não se conforma com as narrativas oficiais que, por vezes, silenciam os operários, os verdadeiros artífices que, com suas próprias mãos, ergueram a Capital Federal. Buscamos, assim, desvelar as complexas dinâmicas socioespaciais e as contradições intrínsecas a um projeto modernista que, em sua utopia, acabou por gerar profundas desigualdades. Adotando o método materialista histórico-dialético, compreendemos o espaço geográfico não como um mero palco, mas como uma construção social viva, dinâmica e, por essência, contraditória. É nesse terreno fértil que propomos sequências didáticas pensadas para os estudantes do 3º e 4º ano do Ensino Fundamental. Nosso intuito é claro, instrumentalizar os professores para que possam desenvolver em seus estudantes um raciocínio geográfico crítico, capaz de ir além do factual, explorando a edificação de Brasília em suas múltiplas dimensões. Os resultados desta pesquisa se materializam em planos de aula e atividades pedagógicas que convidam à reflexão sobre a localização estratégica da capital, a formação do território do Distrito Federal e a produção do espaço urbano de Brasília. Revelam-se, assim, as tensões entre o planejamento idealizado e as realidades vividas pelos candangos, culminando na segregação socioespacial presente no Distrito Federal. Este trabalho, portanto, oferece um recurso pedagógico que não só dá visibilidade aos invisibilizados na história oficial, mas também resgata protagonismos históricos silenciados, fomentando nos estudantes a capacidade de ler, interpretar e questionar o espaço em que vivem, compreendendo-o como produto de relações sociais, econômicas e de poder.

