Esse outro lugar secreto: a língua inglesa como espaço de construções identitárias de licenciando/as LGBTQIA+ de um curso de Letras-Inglês
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Resumo
Este artigo investiga como a língua inglesa emerge como espaço simbólico de auto(re)conhecimento, pertencimento e reinvenção identitária para professores/as de língua inglesa em formação que se autodeclaram LGBTQIA+. Ancorado em uma perspectiva sociocultural e discursiva da linguagem, e dialogando com autores como Revuz (1998), Hall (2006), Moita Lopes (2001), Nelson (2011) e Pennycook (2001), o estudo compreende a aprendizagem da língua estrangeira como um processo que desloca sujeitos de suas referências habituais, produzindo brechas para outras formas de existir. A pesquisa, de natureza qualitativa, apoiou-se em narrativas escritas e entrevistas semiestruturadas produzidas por quatro participantes do curso superior de Letras-Inglês de um Instituto Federal, que se autodeclararam LGBTQIA+. Esses instrumentos foram analisados por meio da Análise de Conteúdo (Gerhardt & Silveira, 2006; Moraes, 1999), com o objetivo de compreender os sentidos atribuídos pelos participantes ao inglês em suas trajetórias. Os resultados evidenciam que a língua inglesa funcionou, para eles, como um espaço secreto, seguro e afetivo no qual puderam acessar discursos, expressar dimensões subjetivas e elaborar identificações que não pareciam ter lugar na língua materna, marcada por normas heteronormativas. Assim, compreende-se que a língua inglesa pode funcionar como um espaço de proteção, pertencimento e construção identitária, ajudando sujeitos LGBTQIA+ a elaborarem suas experiências e se reconhecerem de novas formas, além de contribuir para a possibilidade de práticas pedagógicas que acolham, visibilizam e legitimam experiências dissidentes no ensino de línguas.

