Letramento digital na educação profissional e tecnológica: limites possibilidades da formação crítica em um curso técnico em administração
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Resumo
Em um cenário de intensa digitalização, a formação crítica dos jovens trabalhadores torna-se um desafio central para a Educação Profissional e Tecnológica (EPT). Nesse contexto, esta pesquisa teve como objetivo analisar de que maneira o letramento digital, em suas dimensões técnica e crítica, está presente na formação ofertada pela EPT aos estudantes do Ensino Médio concomitante ao curso técnico em Administração do Centro Educacional 02 do Cruzeiro, no contexto da parceria com o Sebrae, considerando as mediações pedagógicas e institucionais que o estruturam, bem como seus limites e possibilidades no contexto investigado. Para tanto, a investigação, de abordagem qualitativa e natureza exploratória, fundamentou-se no materialismo histórico-dialético e utilizou procedimentos de análise documental, aplicação de questionários diagnósticos e realização de rodas de conversa com 15 estudantes, articulados por meio de triangulação metodológica, além da elaboração e implementação de uma sequência didática como produto educacional. Os dados indicam que, embora os estudantes apresentem familiaridade com dispositivos digitais, predomina uma apropriação funcional das tecnologias, dissociada de práticas sistemáticas de leitura crítica e problematização de seus impactos sociais. Como desdobramento interventivo, a sequência didática, que culminou na produção colaborativa de um folder educativo, permitiu identificar indícios iniciais de ampliação conceitual e problematização do uso das tecnologias, ainda que sem evidências de transformação consolidada das práticas digitais. Conclui-se que o letramento digital crítico não emerge espontaneamente do acesso às tecnologias, mas depende de mediações pedagógicas intencionais e de inserção curricular estruturada. A pesquisa contribui para a reflexão sobre a incorporação do letramento digital como eixo formativo na EPT, especialmente em contextos marcados por vulnerabilidades socioeconômicas.

